tive o meu primeiro ataque e não foi bonito

Tinham-me dito que NÃO HÁ pai, ou mãe, NO MUNDO que possa dizer que nunca lhe passou pela cabeça, num ato de desespero, atirar os filhos pela janela. Asseguraram-me, mas eu não acreditei. Garantiram-me, mas eu achei pouco provável. Nas séries de médicos da Fox Life passa-se a toda a hora, mas eu sabia que essas mães (que sofrem ataques psicóticos e que sufocam os filhos porque já não aguentam mais o seu choro) não eram reais.

Pois bem, minha gente, é verdade, acontece. Acontece e eu acabei de andar lá perto. A minha filha, que agora está no meu colo a ver-me escrever estas linhas, há minutos atrás estava no berço num choro desalmado. Estava aos berros, para ser mais precisa, e nada a acalmava. Eu, na cozinha a tentar organizar o jantar e, claro, a ir constantemente ao quarto. Fui uma, fui duas, três, mas à quarta descontrolei-me. Falei-lhe alto e quase lhe dei uma palmada. Peguei nela ao colo e a Constança, que é uma bebé de 4 meses e ainda percebe pouco disto, riu-se para mim. Riu-se! Ela riu-se… e eu chorei, sentindo mal mal mal pelo que tinha acabado de fazer. 
São as hormonas? A privação de sono? Só pode. Estou tãaaao cansada! Eu não sou má mãe, eu sei, mas foi assim que me senti até vir aqui exorcizar este sentimento de culpa que me atormenta.
a net é como as cerejas

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adivinha quanto eu gosto de ti

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There are 3 comments

  1. Big curves

    Bolas, aconteceu-me o mesmo quando o meu filho tinha mais ou menos essa idade. Mas o meu filho não se riu, fez uma cara que não consigo esquecer até hoje e até hoje quando me lembro disso dá-me uma angustia horrível. Também gritei com ele e também quase lhe dei uma palmada, mas o susto que ele apanhou com o meu berro e a cara de espanto só me deu para o agarrar e pedir-lhe desculpas em lágrimas…são as hormonas, a privação de sono, e as múltiplas tarefas que não acabam mais. Nunca mais me aconteceu, e procurei um psicoterapeuta, felizmente!

  2. F

    Senti, pela primeira vez sentimentos de culpa, depois que fui mãe. Nessa altura lembrei-me daquilo que uma velha senhora que eu respeitava muito e com quem trabalhei há muitos anos me disse a propósito dos seus próprios sentimentos de culpa que tinha em relação ao seu filho (já adulto, nessa altura):

    “O especialista que eu consultei quando me senti assim disse-me que não me preocupasse pois os nossos filhos dão-nos constantemente renovadas oportunidades para nos redimirmos, para os compensarmos e pedirmos desculpas.”

    E com o andar da vida e da experiência tenho verificado (como mãe e como filha) que isto é verdade. Há ocasiões nesta vida em que os filhos nos dão lições de compaixão e nós só temos é que aprender com eles.

    assinado:
    uma tia que tem uma fada-sobrinha

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