sobre ser verdadeiro [e publicidade neste blog]

Ultimamente o meu acesso à net não é tão instantâneo nem tão ilimitado como o que estava habituada. Doze anos a trabalhar em telecomunicações depois, passei a pagar o meu próprio telemóvel, consultei o mercado, mudei tudo para uma operadora, portanto agora espero que me devolvam a internet a casa, ao atelier e ao telemóvel, que é o mesmo que dizer, à vida. Por outro lado, com todos os projetos em que estou envolvida, acrescentando a estas primeiras semanas de mudança o facto de me estar a adaptar a ser mãe e pai em simultâneo, o tempo e a disponibilidade mental para sentar-me a escrever aqui, no blog, não abundam. Tem dias que não dá mesmo. Nem faz sentido. Aliás, entretanto aconteceu uma coisa curiosa que me fez refletir e escrever este post.

Ontem estive até às 3 da manhã a reclassificar todos os posts do blog, tarefa pendente desde o redesign que fizemos no fim do mês de março. Corrigir as tags dos posts fez-me reler grande parte dos meus textos, à volta de 500, em particular os primeiros, as palavras que deram início a tudo isto. Apercebi-me de como a Constança cresceu [uau!] e, principalmente, de como o blog evoluiu. Para mim própria, para os meus sentimentos, os pensamentos da Ana-mãe-mulher-profissional-amiga, extravazando o círculo Ana-mãe meio à toa de uma bebé recém-nascida em licença de maternidade. Percebi também que, às vezes, o meu tom de escrita pode parecer grave, sério ou demasiado profundo. Até é verdade, acho. Mas o que eu realmente senti é que este espaço está cada vez mais completo [no sentido pessoal] e, acima de tudo, mais verdadeiro.

Quem não me conhece em carne e osso agora estará a pensar que sou um bocado palerma ou, no mínimo, gabarolas, mas permitam-me o benefício da dúvida e continuem a ler-me. Porque cada palavra que eu escrevo aqui é real; eu faço-o, primeiro que tudo, para mim própria. A música que publico é a música que eu ouço, dos discos que eu ainda compro ou dos concertos que vou pagando para assistir. As fotografias são nossas, refletem os nossos dias, e estão no blog porque este funciona como uma espécie de álbum de família, e não tanto para o decorar ou o tornar mais bonito. Na verdade, como disse em tempos, eu criei o blog para registar tudo aquilo que não quero que se perca no tempo e na memória. É uma espécie de diário online onde dou a conhecer os meus gostos, descobertas, pensamentos, sonhos e projetos pessoais. Onde reflito sobre os nossos dias e partilho momentos que podem bem ser os melhores das nossas vidas. Poder revê-los sempre quiser e dividi-los com quem gosto é a principal razão de ser deste espaço na internet.

Porém não sou ingénua. Tenho consciência que ter um blog público onde partilho fotos e posts sobre mim, sobre a nossa vida em família ou sobre o meu dia-a-dia com a minha filha pode dar origem a muitas coisas boas [dá, já deu e continuará a dar] mas também a más interpretações, julgamentos e outros dissabores. É o lado menos bonito de tudo isto e há, acreditem, muita gente por aí pronta para ser maldosa e maldizente. A única coisa que eu posso dizer é que cada um é livre de escolher o ângulo pelo qual pretende ler este [ou outro] blog. Deve lembrar-se, todavia, que é o seu ponto de vista. É o seu ponto de vista sobre uma parte muito pequena das nossas vidas, da nossa história. Apenas parte da nossa história, não a história toda. Portanto, é sempre uma questão de perspectiva.

Voltando ao início, o que eu queria dizer é que é possível que eu não publique um post todos os dias ou durante vários dias até. Porque decidi privilegiar a qualidade do blog em detrimento da quantidade de posts, pressionada pelo número de visualizações de página. Ponderei muito sobre este assunto, principalmente desde o blog passou a ter publicidade [no canto superior esquerdo] e ações com patrocinadores [a primeira vai acontecer em junho], porque não há dúvida de que a partir do momento em que há dinheiro envolvido, um conjunto de obrigações editoriais passam a existir também. E ainda bem [venham eles!] porque sem a publicidade e os patrocinadores é difícil um blog sobreviver. Ou pelo menos com conteúdo original, qualidade e relevância para a vida das pessoas.

Por outro lado, neste meu projeto de nome Ma Petite Princesse também há uma marca de roupa de bebé envolvida! Marca esta que tem necessariamente que ser rentável, trabalhada sob todos os pontos de vista da comunicação, portanto, que precisa de publicidade. [pausa] O tema da publicidade nos blogs é novo para mim, uma situação meio estranha até e confesso-vos que andei em luta com ela nos últimos tempos porque é sempre um dilema. Mas, fazendo minhas as palavras desta blogger que eu admiro muito, a autenticidade é a minha essência aqui; é a minha intenção e a minha inspiração. Quando eu não tiver nada para dizer, não digo. E quando eu for recompensada para o fazer, aviso. Estou certa que vou encontrar a melhor maneira de o fazer e, se assim for, não desiludirei ninguém [e gostava de ter o vosso feedback!]

[fotografia tirada pela Catarina estes dias cá em casa. em breve mostramos e contamos tudo]

[escrever para não esquecer] quase 20 meses

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[playlist junho] em português

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There are 4 comments

  1. catia

    Muita transparência e honestidad, tem tudo para ser um sucesso ainda maior. Um beijinho

  2. Ana Burmester Baptista

    Adorei esta perspectiva – a qual também eu partilho – do “escrever quando há algo relevante para dizer” e não fazê-lo para se cumprir calendário. Sou uma seguidora silenciosa – devia comentar mais, sim, mas o que leio é tão bom que acho que um comentário iria quebrar a magia do que escreves. 🙂
    Se não te importas, vou incluir este post nas minhas “leituras de Domingo” que publico no meu blog, porque ter um blog é exactamente isto (menos a parte do”se não há patrocinadores, não pode haver conteúdo original”. Eu não tenho patrocinadores e até acho (cofcof 😀 ) que me tenho aguentado bem à bronca. Beijinhos!

  3. Raquel Caldevilla

    É isso tudo. Cada um tem o seu ponto de vista e é bom mantermos o nosso, com os pés assentes no chão. Há por aí muita gente maldosa, é verdade, mas tu és maior do que eles todos. Um beijinho *

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