uma cabeça e um par de mãos [precisam-se]

p.txtEntre abril do ano passado e abril deste ano, acumulei um emprego com um projeto, trabalhei em média 14 horas por dia e ganhei meia dúzia de rugas à volta dos olhos que me custam reconhecer. Entretanto formou-se uma ideia na minha cabeça, enchi-me de coragem e tomei a decisão: trocar o certo pelo incerto, dar o salto de fé. Larguei o emprego, abri o atelier, criei outras rotinas. Havia um plano, acreditamos muito, e as coisas foram acontecendo, naturalmente. A seguir o desejo realizou-se e a oportunidade de ir para fora do país veio. Ele foi à frente, eu fiquei, mãe a solo com a Constança, quatro meses já se passaram e também não será novidade para quem me lê que, em breve, vou ser mãe outra vez. Uau… Que grande volta a minha vida está a dar neste ano. E a volta ainda não está terminada, não, ainda faltam uns meses intensos até ao Natal, altura em que nasce a pequena Camila e que nos mudamos, as três e em definitivo, para junto do pai.

Ora, no meio de tudo isto, a pergunta que mais me fazem [e que eu me faço] é: e a Ma Petite Princesse? como fica? A Ma, um blog e uma marca de roupa e outras coisas para bebés que nasceram junto com a minha filha Constança, está longe de ser um projeto simples e linear, antes pelo contrário. É um conceito que nasceu da combinação de três fatores altamente pessoais, logo intransmissíveis: a vontade de aprender algo novo e de criar com as minhas mãos, cabeça e coração; o sonho antigo de me meter nos trapos, seguindo as pisadas que um dia o meu avô e depois o meu pai e a minha mãe [ainda que num registo muito diferente] deram; e o facto de ter sido mãe, a experiência mais avassaladora de todas e de sempre. Há tanto de mim envolvido nisto que arrisco dizer que a alma é o segredo deste negócio e a receita que o faz [ou tem feito] funcionar.

p.txt-2Mas um projecto pessoal não tem necessariamente que ser individual: duas cabeças pensam melhor que uma, dois braços trabalham mais rápido, quatro pernas chegam mais longe. Eu não quero deixar a marca, desistir, ou colocar em stand by. Quero continuar e, mais do que isso, crescer. Há oportunidades a baterem-me à porta, há mercado para explorar, há coisas tão giras e criativas e estimulantes para fazer. Mas, para tudo isso, admito, preciso de ajuda. São tantas as fases do processo, tantas, tão diferentes e exigentes, que eu não consigo ir a todas [ninguém consegue, pelo menos para sempre, porque um negócio de sucesso não se constrói com uma pessoa só]. E a partir de janeiro, na Suíça e com duas crianças pequenas nas minhas saias, menos ainda.

Daí o apelo que hoje faço, com humildade e gratidão antecipada, aqui no blog. Se há alguém desse lado que é estilista, costureiro, designer, fotógrafo, gestor, estratega, contabilista ou estafeta; é especialista de qualquer coisa ou coisa alguma mas acredita poder trazer valor ao projeto, ajudar a criar, dar forma e fazer crescer; se, desse lado, há alguém que gosta de sonhar, tem tempo e não tem medo de arregaçar as mangas, fazer um pouco de tudo, com vontade, um sorriso na cara, empatia e está a pensar porque não?; se sim, se achar que é a pessoa certa, então envie-me um e-mail para [email protected] a dizer porquê e com o seguinte desafio: complementar o texto com 3 ideias para a marca Ma Petite Princesse. Podem ser ideias de produto, ações, parcerias, tudo é válido. Vamos a isso? Estou em pulgas. Esta é a minha missão para setembro, o mês dos recomeços.

[fotografada pela Catarina do Ties, no atelier, em junho de 2014]
[o meu novo vício] the taste

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estes dias [de grávida]

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There are 2 comments

  1. Conto de Fadas

    Eu por acaso não conseguiria repartir o meu projecto com um “estranho”, mas eu sou assim: muito individualista, com a mania que só eu é que sei fazer bem, e o meu projecto é tão meu, custa-me tanto mantê-lo em pé há já 3 anos (digamos que trabalho com um nicho de mercado muito específico – caixas de música – que têm procura sim, porque há coleccionadores, mas não são nem bens essenciais nem coisas que se comprem todos os meses) que teria medo de o repartir com alguém que só conhecesse assim online.

    Era perfeitamente capaz de o repartir com um amigo, ou um familiar que entende o meu projecto, a minha dedicação, as minhas normas. Há uns meses abri a possibilidade de franchising e nesse dia senti o coração apertado, com medo que me aparecesse algum louco que dissesse “pronto, tenho dinheiro, quero abrir um Conto de Fadas, vamos lá” e depois não correspondesse, me afundasse o bom nome da marca, as expectativas dos clientes… Apanhei tanta gente parva que desmotivei com essa ideia, francamente há muito boa gente que não faz ideia do esforço enorme que implica isto de ter um negócio próprio (a todos os níveis, mas financeiro sobretudo).

    Desejo a maior sorte para a Ma Petite Princesse. Tenho a certeza que, aqui ou na Suíça, vai continuar e vai crescer muito. Comecei a seguir desde que nos cruzamos há um ano no Summer Market, adorei os artigos! 🙂 Até acho muito boa ideia levar o projecto consigo para lá: temos uma comunidade gigante de portugueses lá que faz questão de continuar a comprar a portugueses e, além disso e mais importante, o poder de compra é absolutamente incomparável. 🙂

    A maior sorte: com amor e trabalho tudo se concilia.

  2. Ana Lima

    Vai encontrar alguém a altura com certeza…. Eu ando a pensar no mesmo…. agora com dois filhotes gostava de me lançar assim em algo…. Para por um lado estar mais perto deles uma vez que o meu trabalho me obriga a trabalhar sempre aos fins de semana e nada de férias quando os miúdos têm 🙁 ando a ganhar coragem para aprender a costurar e ainda hoje vou tentar recomeçar a tricotar ( a ver se me lembro)…. sei o que gosto de vestir à minha boneca e gostaria mt de ser eu a fazer…. e caso me saísse bem fazer para os outros….
    Nunca desistir e sonhar sempre um pouco mais além. …
    Entendo bem o “mãe solteira” pois o meu marido também anda por fora…. somos mais “abençoados” que muitos pois o pai está fora 8 semanas e em casa outras 8…. mas qd não está é um pouco complicado…. se tivéssemos oportunidade fazíamos como a Ana íamos com o pai… nada de medos…. a nossa FAMILIA é o mais importante o resto vem por acréscimo. …
    Um.beijinho grande de alguém que a segue a pouco mas com quem me identifico muito….

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