[a viagem à Colômbia] dias 15, 16 e 17

[dia 15 – sexta-feira]

Os dias aqui são longos e o tempo corre devagar. O céu está encoberto e não há sol mas faz calor, está bom, dá para usar um vestido à noite sem correr o risco de constipar. E nós estamos bronzeados, com aquele ar saudável de férias, até a Camila tem as faces rosadas. [banalidades, banalidades]

O Pierre. O Pierre é daquelas pessoas persuasivas, manipuladoras, com a capacidade de nos levar de conversa. Ele, o modo como coloca o olhar, a voz, os sorrisos a pontuar cada frase, toda a sua linguagem corporal; a forma como apresenta os factos, dá a volta ao assunto e encontra um outro pormenor, um detalhe, um elogio até, que usa para iludir e distrair da questão principal; ai, o Pierre com 50 e tais, talvez 60, com idade para ser meu pai, filhos da minha geração e um ego cintilante, conseguiu intimidar-me. Houve um problema com a nossa reserva e o engano foi deles, nós sabemos, mas nem no último minuto ele teve a decência de o admitir. Aos poucos ele foi-me calando até eu desistir de lhe demonstrar por a + b que a confusão fora causada pela sua mulher, Raquel, uma colombiana morena com botox na corpo e maneiras estudadas. Em parte pela barreira da língua [é cansativo discutir numa língua que não é a nossa], em parte porque não gosto de conflitos e principalmente porque estamos de férias, lá o deixei levar a bicicleta. Mas contrariada. Pagámos mais do que era suposto, muito mais do que aquele lugar merece e ainda tive que levar com o discurso do francês. Bah.

[dia 16 – sábado]

Despedimo-nos da niñera com pena. Ela era ótima, muito melhor do que eu poderia esperar e tê-la connosco por três dias fez uma diferença enorme na qualidade do nosso tempo aqui. Férias com [mais do que uma] crianças não são bem férias, percebo agora. Mas se deixar de viajar não está nos nossos planos [haverá maneira melhor de de gastar o dinheiro que se ganha?], viajar sem elas também não. Então? Há que fazer as coisas de maneira a que todos passemos um bom bocado. E, para isso, haverão algumas regras a cumprir [uma delas pode ser arranjar uma babysitter no local]; ter uma enorme dose de paciência, flexibilidade e coragem também; ser prático, desprendido e desempoeirado; saber rir nas alturas em que só apetece gritar [difícil] e, no meio de tudo isto, acreditar que vale a pena. Para nós, realizar estas viagens faz sentido: tornam-nos numa família mais unida, mais humana, rica, madura e feliz.

[dia 17 – domingo]

A Constança está impossível. A Camila está impossível. Retiro tudo o que disse [note-se que escrevo da boca para fora]. Faltam 14 horas para chegarmos a casa.

[a viagem à Colômbia] dias 12, 13 e 14

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There is one comment

  1. margarida monteiro

    Olá Ana,
    Acredito que viajar com 2 filhas pequenas não seja nada fácil, mas acredito que seja uma experiência maravilhosa para sempre.
    Adoro viajar e como para já ainda não tenho filhos é tudo muito mais fácil 🙂 mas acredito que um dia quando as tiver continuarei a fazer as minhas viagens na medida do possível.
    Parabéns pela sua família linda e pela ousadia.
    Bjnhs

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