tempo mãe-e-filha

IMG_0093bEu não sou do tipo de mãe que se senta horas a brincar com os filhos no chão da sala. Faço mais desenhos e puzzles na mesa do restaurante do que brinco às bonecas. Brinco com ela sim, mas de outra maneira. Conto-lhe uma história enquanto conduzo. Envolvo-a nas tarefas do dia-a-dia. Deixo-a participar nas lides domésticas e ensino-a. Falo muito, converso com ela, explico-lhe os comos e os porquês das coisas simples: porque é que vamos pôr o carro a lavar, porque é que a sopa se passa na varinha, porque é que temos de ir ao supermercado, porque é que compramos isto em vez de aquilo. Ela vai ouvindo, faz perguntas, enriquece vocabulário, entende as experiências e gosta. Para ela, isso também é uma forma de brincadeira e para mim, que me desdobro em mil e uma funções, cumpre o essencial que é conseguir fazer o que tem de ser feito e ter tempo de qualidade e em exclusivo para a minha filha mais velha. Procuro sempre criar tempo e oportunidades para estar sozinha com a Constança, principalmente desde que nasceu a Camila. Até pode nem ser nada de especial, basta fazer qualquer coisa ou ir a qualquer lado juntas, só as duas, mas sente-se logo uma enorme diferença no seu comportamento. Sossega, ouve-me com mais atenção, está mais feliz.

Ontem, aproveitando que a Camila foi passar a noite na avó, esperei que acordasse da sua longa sesta [ao fim-de-semana a Constança dorme 3 ou 4 horas de tarde] e, mesmo sendo quase hora do jantar, resolvi sair. Fomos ao shopping. No carrinho ou pela mão, entrámos e saímos das lojas, experimentei-lhe roupa e sapatos, comprei o que tinha comprar para a viagem e ela sempre bem, sem birras, sem destruições de montras, nem fugidas pelo corredor fora. Estava tão contente e meiga que fui incapaz de não a deixar andar no carro do mickey antes de vir embora. Chegámos a casa cansadas e tarde, muito mais tarde do que a hora suposta de uma criança de 2 anos ir para a cama. Mas valeu a pena. Encontrar tempo para estarmos de-um-para-um com os ossos filhos é essencial e faz maravilhas pelo crescimento deles e pela nossa relação.

[fevereiro de 2014 * fotografia por Daniela Sousa]

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