não se encontra o que se procura

Quando nada mais resulta, vai. Vai ao encontro da natureza, de Deus, de ti própria, apenas vai. De que vale insistir no que a lado algum nos leva, de que vale ficar a medir forças, atirar palavras, dizer o que já foi tantas vezes dito. Vai, chora o que tens a chorar, arruma as frustrações e as expetativas [já sabes que não deves cultivar expetativas], vai e senta-te na rocha com os pés no mar. Ouve as gaivotas, o vento que te bate na cara, a ronca do farol ao longe. Regressa a Carreço ou a outro lugar onde tenhas sido muito feliz. Lembra-te dos cheiros: das dunas mesmo em frente à varanda, da salsa que colhias do muro da estrada, do armário do corredor onde a mãe guardava as bolachas. E depois pensa numa coisa boa [diria ele], anda, faz esse esforço. Escuta o vento que te bate na cara, o barulho das gaivotas a rouca do farol lá ao longe. E concilia-te. Contigo própria e com a possibilidade do silêncio. Não se encontra o que se procura.

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