flashback

Os dois no carro, em viagem para Lisboa, música clássica a tocar alto no rádio do velho Opel Kadett [o carro era velho, mas o rádio era bom], uma frinchinha do vidro aberta e um cigarro na mão esquerda. Interrompo o silêncio.

– Pai – Sim? – Alguma vez sentiste aquela sensação de querer ouvir uma música alto, mais alto, tão alto, que quase consegues entrar dentro dela? (sorriso dele, benevolente) E depois quando acaba até parece que… sais de uma espécie de transe… dos bons. – É. É isso mesmo. – Ah! hum (sorriso meu, aliviada)

[Ontem, desgastada pelo dia, piloto automático e, de repente, esta música que gosto muito. Subi de tal maneira o som que despertei as memórias. No fim, lágrimas. De cansaço, de dor e saudade, muita saudade. Obrigada Pai por, através da música dura de Rachmaninoff, me teres feito gostar de tudo o mais.]
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ainda os banhos [e os cuidados com a pele delas]

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cozinhar para as miúdas

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