1 mês

Depois de 10 dias em Portugal a trabalhar a 200, o regresso, e 4 dias sem praticamente pegar no computador, dedicados às miúdas, à casa, ao sábado e ao domingo em família. Coisas simples: acordar cedo demais para o fim-de-semana, pequeno-almoço todos juntos, a sala em caos permanente, pilhas de roupa para dobrar, uma ida ao ikea que acabou com a Constança em cuecas, encontro no parque com outras famílias portuguesas, solinho bom, brunchs demasiado caros que causam arrependimento, choros e sono, cócegas e gargalhadas, birras e castigos, saudades e malabarismos no skype.

As miúdas andam estranhas. Não é grave, estão apenas a adaptar-se e a crescer: a Constança tem 3 anos, a Camila quase 1. Apercebo-me que ser mãe [e ser pai] é um papel cada vez menos passivo e dá sempre mais trabalho, física e emocionalmente. Nada que eu não pudesse suspeitar, nada que eu não aceite com naturalidade, estou apenas a constatar a verdade: ser mãe [e ser pai] é altamente exigente, desafiante, exasperante, emocionante, frustrante, desesperante e apaixonante, tudo ao mesmo tempo e tudo quase sempre com a mesma intensidade. Ufa. Sinto-me constantemente à prova e em esforço para ser a melhor mãe, não do mundo, mas a possível, a que sei ser, sem meios-termos.

No colégio, a Constança come bem, a Camila continua a preferir a comida de boião à culinária suíça. Cada tentativa de lhe dar o almoço do colégio que fazemos falha e no dia seguinte lá tenho eu de mandar a sopa e de me esforçar ainda mais para diversificar os ingredientes. Não consigo perceber exatamente o que não está a resultar. Já a Constança, dizem, come de tudo e bem. A propósito, lembram-se do assunto dos chocolates e das gomas? Diz a educadora que ela nem reparou. Santa inocência, a desta criança.

Já temos televisão [não que isso importe muito, na verdade], cortesia de uma amiga espanhola que se juntou com um francês e ficou com televisões a mais. É da mesma marca e modelo da que temos na outra casa, logo está mais que bom. Liguei-a ontem pela primeira vez e depois de saltar dezenas de canais em alemão, não tive outro remédio que alternar entre a RTP Internacional e a TVE. A Constança, mais uma vez, nem deu por ela. Continua agarrada ao ipad portanto a próxima medida será tirar-lhe o aparelho de vista para que ela, por uns tempos, se esqueça dele. A Camila ainda não sabe bem o que é tal coisa, nem tv, nem ipad.

O clima melhorou. Tivemos um autêntico verão de São Martinho até hoje, dia em que as temperaturas baixaram, parece-me. Continuo a ocupar algum tempo à volta da roupa e das decisões acerca do que vestir, a elas e a mim. Sair bonita, quentinha e confortável pode parecer fácil, mas garanto-vos, não é assim tanto. Ando em busca do equilíbrio perfeito entre a mulher-profissional que se quer arranjada para trabalhar fora de casa [ponho as botas e o sobretudo] e a mulher-mãe que se quer prática para pôr a mochila às costas, empurrar o carrinho e se deslocar de transportes públicos [escolho os ténis e o blusão]. Até tem piada.

Faz hoje um mês que chegámos.

1 mês

fins-de-tarde [na minha cozinha]

1 mês

[wishlist] para o quarto delas

Newer post

There are 6 comments

  1. Só entre nós

    Parabéns! Nada do que relata é fácil, mas tudo parece perfeito visto à distância. Sobretudo a coragem de mudar de país com duas filhas tão pequenas. Seria difícil cá, quanto mais aí… Força e continue a escrever e a inspirar-nos.

  2. joana david

    adorei a parte dos antes: desafiante, exasperante, emocionante, frustrante, desesperante e apaixonante. é isto que tenho pensado e sentido nesta fase dos meus miúdos (que têm exactamente a idades da constança e da camila). e sempre que tento melhorar, há outro ponto qualquer que se DESEQUILIBRA, não é? fico sempre a pensar – amanhã é outro dia, está tudo bem.

  3. Xica Maria

    Quando estou com o diogo tambem me visto de maneira pratica nao va o rapaz comecar a corRer e eu atrapaLhar-me com os saltos e cair ehehe!

Post a comment