sobre repensar prioridades e escrever [ou não] neste blog

aÉ feriado de Pentecostes em Basel. As miúdas dormem a sesta, a casa está em silêncio e eu hesito entre o sofá com os catálogos que trouxe de uma feira de design que visitámos há umas semanas atrás, os sacos de roupa suja que tenho de levar para a lavandaria e o computador fechado em cima da mesa. Ganha o último. Decido-me a tentar escrever.

Talvez já tenham reparado que ultimamente ando ausente, semi-desligada do blog, ainda que menos do instagram, mas muito da internet como um todo. Não do computador, porque trabalho nele que se farta, mas a escrita não tem tido muito espaço em mim. É uma fase. Deste lado continuam os dias intensos, com muito a acontecer e quase sempre ao mesmo tempo. 2016 já vai quase a meio e eu ainda sem conseguir equilibrar o corpo e a mente como tanto desejo e preciso. Tento acalmar-me, defender-me de mim mesma, já fiz muitos progressos, mas na maior parte do tempo há demasiado para onde me virar.

Começa por aqui: trabalhar por contra própria é como viver num caos contínuo porque nunca dá para desligar completamente.

1Eu até tento, mas é inevitável sentir a pressão, a urgência, a obrigação de aproveitar cada minuto livre do dia para trabalhar. Diz que, eventualmente, aprenderei a gerir as emoções a este nível mas eu sei, conheço-me, que nunca será de forma total e definitiva. Acordo a pensar na Grace, deito-me a pensar na Grace – e não é porque este ano decidimos apostar fortemente na sua expansão e, portanto, não há outro remédio senão trabalhar, trabalhar e trabalhar – é porque hoje a minha vida é isto e dificilmente me imagino a fazer outra coisa. Até parece que foi sempre assim [tão bom].

Mais do que uma profissão, a Grace é um projeto de vida, um negócio de família que eu faço questão em manter à esquerda, no lado do coração.

Depois há o blog, a outra parte do projeto que eu tenho deixado ficar para trás [nunca escrevi tão pouco como este ano] mas que não quero, de todo, abandonar. Antes pelo contrário, tenho muitos planos e ideias para ele, porém falta-me o tempo e presença de espírito que colocá-los em prática exige. O bom é inimigo do ótimo, repito para mim mesma, tantas vezes, com a consciência de que o meu perfecionismo me prejudica mais do que me beneficia. Pratico a paciência… comigo. Porque se até houve momentos em que tive dúvidas, hoje eu sei: a escrita é um lugar de onde eu não quero sair.

bE, claro, em terceiro lugar, mas não menos importante, se não precisamente o oposto, a família, a Constança e a Camila, que pautam o ritmo dos meus dias. Estar tempo de qualidade com elas é, mais do que nunca, a minha prioridade e por isso o fim de dia é delas, a sexta-feira é delas, o fim-de-semana é delas e de todos também. Enquanto elas estão por perto, não há telemóvel nem iPad ou computador. Para compensar, as noites têm sido as minhas grandes aliadas mas até isto, para o meu bem e para o bem do casamento e da família, é algo que tem que mudar.

Chega um momento em que uma pessoa pára para pensar e escutar o coração. E aí percebe que tem de fazer muitas coisas de forma diferente.

Pode parecer bastante óbvio, nem sempre foi. Entender que era urgente repensar as minhas prioridades foi um caminho longo de se percorrer, implicou muitas decisões difíceis, e eu fi-lo. Hoje sou uma mãe muito mais consciente do que era há 6 meses atrás, no dia em que cheguei a esta cidade, a este país, vergada pelo cansaço e carregada de ilusões. Tentei fazer tudo e não fiz bem. Tentei estar em todo o lado e não consegui. Lá porque o meu corpo estava lá não significava que eu estivesse, verdadeiramente, lá. Não há super-mulheres. Nem super-mães. Ou super-profissionais.

5Olho para o relógio e percebo que entretanto se passaram 2 horas [!] É por isto que eu não tenho escrito tanto no blog. Dar o melhor de mim exige tempo, disponibilidade, entrega… e se o estou a fazer a 200% num lado, não o consigo fazer no outro também. Não dá para tudo. Mas eu continuo aqui, com a mesma vontade de tornar este blog num espaço bonito, com conteúdo original e, gosto de acreditar, minimamente relevante para as vossas vidas. Hoje senti vontade de partilhar convosco, quase de me justificar, mas também de agradecer por estarem desse lado. Espero que continuem a ler-me, a comentar e a partilhar, quando tiverem vontade. E eu de cá responderei sempre: obrigada.

Tenho fé no futuro e no tempo e sei que, aos pouco, ele vai colocando as coisas no seu devido lugar. Dizem sempre que o melhor ainda está para vir.

[a vida ultimamente segundo as fotos do meu iPhone e que eu vou partilhando no instagram]

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segunda-feira [e intenções para maio]

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o fim-de-semana, segundo as fotos no meu iPhone

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There are 10 comments

  1. Ana Filipa Matos Silva Oliveira

    Às vezes é mesmo assim! Há que repensar prioridades. As mentes criativas querem chegar a todo o lado, pois têm sempre várias ideias e projectos. Mas é difícil conseguir levar tudo a bom porto. Há que escolher e ver o que é mais importante neste momento. Por vezes, aquilo que é mais urgente, deixa-o de o ser rapidamente, e NÃO é o mais importante. Se o blog NÃO é importante, ENTÃO, com pena minha e de outras tantas leitoras, faÇa uma pausa.

  2. By deva

    Um dia vai Olhar para tras e vai Sentir orgulho de si mesma, as suas filhas um dia irao lhe dar valor pela coragem. Vacilar e normal, A ana é forte!

  3. E

    UM dia vai olhar para tras e vai orgulhar-se de si mesma, e as suas filhas Também. vacilar é normal, a ana é uma mulher forte.
    Nos estaremos por aqui a acomanhar.

  4. Lisa

    Ola Ana
    Obrigada por eStar ai. Revejo me em tudo o que escreve… Tambem eu por um sonho profisIonal deixei lisboa e fui pra berna. Apartir dai comecaram as aventuras, marido, fiLhos queridos, um toDo!
    Nao pare!

  5. Ana Leonor

    Olá Ana,

    Também estarei por aqui. gosto muito do que escreve e da forma como o escreve. e acima de tudo da sinceridade que faz com que nos identifiquemos tanto.
    obrigada,

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