a viagem à Grécia [dia 8]


Já nos tínhamos cruzado na praia, no dia em que chegámos. As nossas filhas engraçaram uma com a outra e nós, as mães, acabámos por meter conversa. Hoje ela veio ter comigo, simpática.

São um casal de Atenas mais ou menos da minha idade, ele psicólogo, ela consultora na área das telecomunicações, com uma filha de três anos. Alugaram uma pequena casa em frente à praia, por detrás das rochas, e conta que só muito recentemente é que a luz eléctrica chegou a esta parte da ilha. A casa, portanto, ainda é iluminada a candeeiros a gás. Estranhei. E devo ter feito uma cara a condizer porque logo ela expôs as vantagens da situação: obriga a sair da zona de conforto, ver diferente, fazer diferente, porque as férias, afinal, também servem para estas experiências. Sorri e concordei. As melhores recordações que tenho das férias em miúda são as que incluem as excitantes “aventuras” – o nome que a minha mãe dava a imprevistos [para que não nos assustássemos] como um pneu furado a meio da noite, um carro sem bateria, uma grande caminhada a pé ou, podia muito bem ser, uma casa sem electricidade.

A conversa era boa por isso, quando chegou a hora de maior calor, foi com naturalidade que passámos da borda da água para a mesa do almoço. Falou-se de tudo um pouco: dos nossos países em crise, das nossas profissões, dos empregos, das viagens, dos filhos e da mudança de vida que, de uma forma ou de outra, todos procuramos. Todos queremos viver melhor [mas não necessariamente com mais], todos queremos ser mais felizes.
Quando nos despedíamos, convidaram-nos para almoçar novamente amanhã, mas desta vez em casa deles. Dissemos que sim. Afinal, também é destas “aventuras” que as recordações das viagens são feitas.

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