[escrever para não esquecer] quase 20 meses







Hoje calçaste três pares de sapatos e dos três te queixaste. O teu pé cresceu e eu percebi que os quatro pares de ténis que usaste na viagem deixaram, todos, de te servir. Já andas bem, quase corres sem medo, mas de vez em quando ainda cais. Em cada queda dizes “de pé” ou então “upa”, deduzo que tenhas aprendido isso no colégio.

É raro chorares mas desde que o pai foi para o estrangeiro e se eu estou fora em feiras ou mais ocupada, ficas carente e gemes e choramingas por tudo e por nada. Continuas agarrada à “pe-té-té”, que pedes várias vezes ao dia e assim que entras no carro. Eu não te faço sempre a vontade, distraio-te com uma brincadeira ou outra coisa qualquer e por vezes até te esqueces. 
Estás sempre pronta para a comida e és curiosa com tudo o que os adultos possam estar a comer. Adoras queijo e tremoços, tens mesmo a quem sair. Também adoras, literalmente, a tua prima. Gritas de alegria quando a vês, das-lhe beijos e amassos, entregas-lhe os teus brinquedos, tentas por-lhe a chupeta na boca. É bonito de se ver.
Falas muito, estás sempre a dizer coisas que nem eu entendo, repetes as terminações das palavras que dizemos, cantas e danças em frente à tv. Volta e meia chamas pelo bu-bú [avô], pelo pi-tá-to [o cão Picasso], a bó tina [avó Celestina], a tia bú [tia Blu], a tia, a bebé, a bo-bó [avó], o tio nú-nho [tio Nuno] e eu vou repetindo os nomes do resto da família para que os saibas e não te esqueças dos que estão mais longe.

Se estás muito cansada ou não dormes uma boa sesta, como hoje, vais para a cama às 20h30 com um biberão de leite morno e nem resistes, dormes em 10 minutos. Eu gosto de te ver dormir. Depois, quando acordas, vens para a nossa cama e gostas de ficar um bocadinho na ronha, com a tua chupeta na boca e a agarrar-nos a mão. Sabe bem e ainda melhor quando nos abraças aos dois, um de cada lado. Até parece que nos estás a dizer que é assim, juntos, que deve ser.

Já sou tua mãe há quase 20 meses, mais os quase 10 em que te tive dentro da minha barriga. Constança, de vez em quando paro e observo-te. Estás a crescer. E eu escrevo para não esquecer.

[fotografada em Santa Teresa, na Costa Rica, abril de 2014]
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