meter o rossio na bestega


É um velho hábito meu. E é uma expressão de que gosto muito porque me soa a Lisboa, a ruas antigas, a calçada portuguesa, a dias livres e felizes. É um velho hábito meu, dizia; faço-o sempre que tenho oportunidade. É. Sempre que tenho uma oportunidade, lá vou eu a correr meter o rossio na bestega que é que como quem diz, meter um elefante num buraco de um rato ou, por outras palavras e na prática, fazer em 5 dias o que precisava, sem dúvida, de mais tempo.

Entre sexta e segunda, encaixo reuniões, entrevistas, entregas, stocks, e-mails, mala dos dois, recados para os avós, mala da criança, montagens e desmontagens vezes três, duas noites de hotel, quase 1000 quilómetros, e ainda reuniões e entrevistas outras vez, passaportes, seguros, vistos, compras, reservas no booking, tripadvisor, lonely planet e rough guide, roupa de verão, malas outra vez, mochilas, a tenda dela, farmácia, papelinhos com recados à empregada, carro na oficina.

Tenho o tempo contado. Estou angustiada. Sinto que precisava das 24 horas que o dia tem para conseguir tratar de tudo, fazer tudo, riscar todas as tarefas da lista. E por mais que repita para mim própria que não vai ser possível, não vai, continuo a tentar, a matar a cabeça, de nervos em franja. Às vezes enerva-me esta responsabilidade exagerada, zelo desmesurado, gostava de conseguir assumir que não dá e pronto, deixar ficar. Mas não, a menina aqui sofre e pelos vistos gosta, a burrinha.


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