28 de agosto [4 anos]

Pai, já se passaram 4 anos. Foi ontem. Era fim-de-semana, 3 da tarde. Estávamos as três, as tuas três meninas, em casa, contigo. Foi terrível ver-te ir.

Uma tia disse-me uma vez que acompanhar os últimos meses de vida da sua mãe teve tanto de doloroso como de bonito. Conversou muito com ela, resolveu os passados, foi como que um privilégio. Acho que foi esta a palavra que ela usou. Eu até percebo. Naquelas manhãs de quarta-feira, desconfortavelmente sentados, à espera, nos corredores do velho hospital, também conversei muito contigo, resolvi as minha culpas e revoltas, desempenhei o meu papel de filha o melhor que pude e soube. Se foi como que um privilégio? Caramba!, e perdoa-me se sou ingrata, um privilégio que eu preferia não ter tido.

Às vezes esqueço-me e agarro no telefone para te ligar. Ainda sei o teu número de cor. Fazes-me falta. Hoje, como todos os dias, como sempre. E eu digo sempre isto. 

[alguns esclarecimentos sobre] o desafio

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ser Família

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There are 5 comments

  1. Marmita

    Já é a segunda vez que falas do teu e parecem as minhas palavras, por mais que custe não há melhor sensação na vida do que termos tido tempo para nos despedir, comigo foi igual. Faz 4 anos daqui a uns meses, beijo.

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